Posted by...Volcof

"Mais um ano para a coleção"

Normalmente é o tio barrigudo que usa calça de moletom quem fala, mas às vezes também pode ser o avô, ou até a avó. Com a chegada do último dia do ano, tem sempre alguém que solta, em tom saudosista, essa pérola dos clichês: Bom... mais um ano pra coleção, né gente?!

Pois é, finalmente estamos encerrando 2011, e tenho certeza que você, assim como eu, passou por muitas e nem sempre boas, aprendeu algumas lições, bateu e apanhou (metafórica ou literalmente) e viveu da melhor maneira possível.

Decidi fazer para o blog uma postagem de fim de ano, mas me sinto verdadeiramente impossibilitado de escrever um texto meloso, em tom paternalista, inserindo algumas lições de moral ou contando minhas experiências nesse ano que se encerra. Cada um de nós viveu, creio eu, do jeito que pôde, e todos nós tivemos bons e maus momentos – a vida é assim.

Realmente espero o melhor de 2012, assim como esperei o melhor de todos os novos dias de 2011. Realmente espero que em muitas áreas da vida humana, muitas coisas melhores. Realmente espero que o mundo não acabe dia 21 de dezembro...

Mas para finalizar os trabalhos do blog nessa temporada, resolvi fazer um Top Five triplo, com indicações em três áreas muito presentes em minha vida, seja por hobby, por estudo ou por trabalho: o Cinema, a Literatura e os Seriados.

Bom... vamos lá:


CINEMA:
Meu vício continua irrepreensível, mas infelizmente vi menos filmes do que gostaria - falta de tempo, o mal dos dias atuais. Vários filmes de 2011 ainda estão da lista do "Para Serem Vistos", como Lola, The Artist, Potiche - Esposa Troféu, Tudo Pelo Poder e alguns outros. Mas dentre os que eu consegui assisti, esses foram os cinco que mais me surpreenderam e merecem indicação.
(download)


SERIADO:
Quanto sobra um tempo entre um tarefa e outra e a cabeça dói de tanta estudo, eu procuro um seriado para assistir. Esses foram os cinco que eu mais gostei nesse ano e pretendo continuar acompanhando no ano que vem.
(download)


LIVROS:
Alguns lidos por diversão, outros para estudos. Talvez este tenha sido o ano em que eu mais comprei livros - foram dezenas. Terminarei 2011 lendo Walden, do incrível H.D. Thoreau e pretendo começar o ano novo com O Olho, do Nabokov. Estes foram os que mais me agradaram em 2011:
(download)


 Espero que tenham gostado, isso foi o que eu encontrei de melhor nesse ano que se encerra. Que venham um 2012 cheio de filmes, livros, seriados, músicas (músicas! eu realmente preciso voltar a ouvir música!) e muitas, muitas coisas boas para todos nós.

Posted by Volcof
Posted

1

Quem não é fã de Tom Cruise?

O cara virou galã no ensolarado Top Gun (1986), dois anos depois foi o irmão de Dustin Hoffman em Rain Man (1988) e na sequencia estrelou o drama de guerra do mão-pesada Oliver Stone, Nascido em 4 de Julho (1989). Na última década do milênio brilhou ao lado de Jack Nicholson em Questão de Honra (1992), transformou “Show me the moneeeey!!” num dos mais conhecidos bordões do cinema (Jerry Maguire, 1996, de Cameron Crowe), foi protagonista do derradeiro filme de Stanley Kubrick (De Olhos Bem Fechados, em 1999) e começou os 2000 sendo indicado ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante por Magnólia (1999), de P.T. Anderson – na minha opinião, o melhor papel de sua carreira.

Tom Cruise foi maluco que pulou no sofá de Oprah Winfrey, o vilão gordo e careca de Trovão Tropical (2008), o ex-marido de uma das mulheres mais lindas do mundo (Nicole Kidman) e é o atual marido de uma das mulheres mais lindas do mundo (Katie Holmes). Além disso, impossível esquecer, também é líder da estranha seita/religião/grupo-de-negócios Cientologia.

Ok, acho que devo refazer minha pergunta: Tem como não ser fã de Tom Cruise?

Ainda assim, ou melhor, apesar de suas alucinantes experiências dentro e fora das telas, parece haver algo de especial na relação entre ele e o agente Ethan Hunt, seu personagem na saga Missão: Impossível. E a partir dessa semana, nas salas de todo o mundo, você pode confirmar se estou certo quanto a isso.

A música tema (épica!) começa a tocar, eu me ajeito na cadeira e sei que a próxima hora e meia será cheia de ação de altíssima qualidade – para entretenimento de todos e felicidade geral.

Sob surpreendente direção de Brad Bird – duas vezes vencedor do Oscar de Animação, com Os Incríveis (2004) e Ratatouille (2007) – a trama habilmente moldada decide ressuscitar velhos vilões: os russos – e a eterna paranóia americana: a ameaça nuclear. O que a principio pode parecer uma queda pelo clichê, visto novamente mostra-se muito inteligente. De fato, seria um tiro no pé fazer de vilão algum tipo estereotipado de árabe ou iraquiano, visto que nesse mês os EUA, enfim, retiraram suas tropas do Iraque – deixando para trás um país muito mais destruído do que encontrou.

Outro interessante ponto de Missão... é o de ter jogado sua trama em países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo dos emergentes que se mantém estáveis diante da tormenta global que vem assolando e soterrando as economias mais sólidas de até então.  Além de fazer seus vilões russos, parte da história se passa na Índia e um dos melhores momentos em Dubai, nos Emirados Árabes – que não fazem parte propriamente do BRIC mas são uma das economias mais prósperas do mundo atual (graças aos sheikhs e seus bilhões vindos do petróleo). Em recente entrevista, o próprio diretor disse que a ideia inicial era fazer uma cena no Rio de Janeiro, mas problemas logísticos forçaram uma mudança de planos.

Ok, agora deixando pra lá toda a análise social-e-economica e falando puramente como um fã: Missão: Impossível 4 é um filmaço, com boa estória, cenas cômicas habilmente pinceladas e intensas lutas de nos fazem pular da cadeira.

Como dizem os rapazes do portal Cinema com Rapadura, Tom Cruise pode não ser um excelente ator (eu também não acho que ele seja), mas com certeza ele corre como ninguém... e pula, e chuta, e esmurra e atira como ninguém. Com efeitos especiais de ponta – destaque para a explosão do Kremlin – e cenas de ação impressionantes feitas sem a ajuda de dublês – como na escalada do prédio mais alto do mundo (não falei que esse cara é um maluco?!) – Tom Cruise encarna o agente Hunt tão bem que tão logo o filme acabou, me vi perguntando quando haveria de estrear a próxima continuação.

Esse é Tom Cruise: às vésperas dos 50 anos ainda faz marmanjos suarem frio nas poltronas das salas de cinema com suas piruetas, socos e ponta pés....e tudo isso do jeito mais cool e estiloso possível. Super indicação para terminar o ano cinematográfico com chave de ouro.  


Volcof

Posted

#FridayMovie

Essa é mais uma sessão do #FridayMovie com indicações das melhores estréias do cinema na semana.

A

Esqueça o vomito verde e a cabeça girando trezentos e sessenta graus; esqueça a menina saindo de dentro da televisão; esqueça o homem deformado e garras nas mãos que aparecia nos sonhos de suas vítimas. Esteja preparado para um novo tipo de terror em A PELE QUE HABITO, novo filme de Pedro Almodóvar.

Read the rest of this post »

Posted

Artigo - A Polêmica do Humor

A  ética, a moral e as características pessoais influenciam a construção do que podemos chamar de Parâmetro do Aceitável na vida em sociedade. Todos nós temos impulso de vez ou outra soltar nossas verdades – que nem sempre corresponde à Verdade (aquela irrevogável) – em relação a um tema específico, a uma pessoa, a um assunto.

Por exemplo, quando vemos nos telejornais que mais um deputado foi pego por uma câmera escondida recebendo propina, temos o ímpeto de – mesmo em frente à televisão – xingar sua mãe, mas sabemos que a mãe não é necessariamente a responsável pela canalhice do filho. Outro exemplo, quando somos parados numa blitz policial e o guarda anuncia que só nos deixará prosseguir se “rolar algum”, ou seja, com o pagamento de propina, podemos nos sentir ofendidos enquanto cidadãos e, pelo ímpeto, pelo impensado, podemos sair do carro e dar um soco na cara do policial, mas sabemos que ao fazer isso, seriamos presos.

Pois bem, o que quero dizer é que há um limite, construído por nós, enquanto sociedade. É como quando levamos nosso filho pequeno à praia e mostramos pra ele um limite de altura das águas – digamos, até o joelho – e dizemos: você pode vir até aqui – apontando os pontos dos limites permitidos. Depois de um tempo, ele pode querer ver como é deixar a água passar um pouquinho – digamos, um, dois dedos – do joelho. Ou seja, ele começa a testar os limites.

Na nossa sociedade fazemos o papel de pai, mas também o papel do filho. Contribuímos para a criação de limites que nós mesmos teremos que respeitar. Muitos, porém, fazem de forma muito mais contundente as vezes do filho travesso, querendo ver como é deixar a água passar um pouco do joelho. Pena que alguns, de tão travessos, vão tão fundo que se afogam.

O humorista é, por definição, o menino travesso. A ele a sociedade diz: você pode ir daqui, até aqui – apontando para os limites permitidos, da mesma forma como fazemos com a criança. Como exemplo, notamos que a sociedade atual aceita piadas de loiras (embora ainda sob protestos), piadas de português, de religiosos, de políticos, de gordinhos, mas não aceita (ainda) piadas de racismo exagerado (porque o soft-racismo já é aceito, infelizmente), de Alah (lembram das charges do profeta no jornal dinamarquês que causaram um acidente diplomático?) e, no recente caso ocorrido em nosso país, que aludam à pedofilia - possívelmente por ser um problema tão grave, bárbaro e presente no mundo pós-moderno.

Agora, sinto que preciso explicar o que quero dizer com “a sociedade não aceita (ainda)”. Digo isto porque, graças às ações desses meninos travessos e de outros fatores sócio-culturais, nossos limites vão sendo modificados, afrouxados. É como se o pai notasse que seu filho está crescendo e por isso começa a deixar que ele vá um pouco mais ao fundo no mar (muito embora o crescimento do filho não implique, necessariamente, que ele saiba nadar).

Alguns temas que antes eram inaceitáveis – por exemplo, piadas sobre o Onze de Setembro –, hoje já começam a seres ditas, e a sociedade ao ouvir já se machuca cada vez menos com elas. É claro que o desbravador destas fronteiras acaba sendo um herói (e não estou idolatrando essas pessoas, mas apenas reconhecendo o inegável ato de coragem). O primeiro que conta uma piada sobre um assunto que até então é considerado tabu, corre o risco de ser degolado, como no caso do Rafinha Bastos e a piada feita com a cantora Wanessa (se não viu, clique aqui).

Perceba que não estou defendendo o Rafinha. Acredito que assim como você, achei a piada de extremo mau gosto, mas não posso deixar de reconhecer que ele, enquanto comediante, estava apenas fazendo seu papel, a saber, testar os limites sociais.

Se os comediantes deixarem de testar os limites da sociedade, pra onde iremos? Estaríamos fadados ao estoicismo, à rigidez, à imutabilidade.

Um documentário americano exemplifica muito bem essa questão que aponto. “Os Aristocratas” mostra diversos comediantes famosos contanto a mesma piada (a do nome do documentário), de diversas formas. Não importa muito, neste caso, o humor da piada (embora isso pareça ser uma contradição). Ela não tem a punch line, ou seja, aquela palavra ou frase de dá graça a todo o resto. 'Os aristocratas' (a piada) serve para chocar, e apenas isso. Sua parte mais importante é o quanto de absurdo, bizarrice e nojeira escatológica o humorista conseguirá colocar no meio da piada – e acreditem, eles ultrapassam qualquer limite conhecido. À medida que cada humorista faz sua parte, percebemos de fato, que não há graça nenhuma, ela serve apenas para testar os limites sociais, o Parâmetro do Aceitável, ver até onde o ser humano permite-se ofender e zombar - e no caso dessa piada específica, o ideal é que o humorista ultrapasse o limite, o Parâmetro, ou seja, ofenda verdadeiramente alguém ou algum grupo específico (o que eles, evidentemente, sempre conseguem fazer).   

Por mais odioso que seja, esse é o papel do humorista. Por mais desagradável que seja, esse é o papel de algumas piadas. Com Rafinha Bastos vimos que aquele limite – o da alusão á pedofilia – (ainda) não está pronto pra ser afrouxado, (ainda) não pode ser usado como zombaria, (ainda) não tem graça nenhuma.  Não podemos negar, porém, que ele cumpriu seu papel de anárquico humorista, forçando os limites para ver se eles eram flexíveis (e neste caso, não eram).

Serve de lição, para ele e para toda uma classe que, embora assustadoramente ofensiva em alguns momentos, é necessária pra nossa existência enquanto sociedade.

Posted by Volcof

Posted

1

Diante de mim o horizonte, e posso ir pra onde quiser.

Hoje sentei – pra tomar fôlego antes de seguir com as atividades do dia – e então me deparei com uma realidade: sou livre.

Tenho dezenove anos, em poucos meses completo vinte. Entro na segunda década da minha vida, àquela que dizem ser a mais agitada, talvez a mais importante (já que é nela que tomamos algumas decisões que afetarão todo o restante da jornada da vida). Não tenho filhos, não sou casado, não tenho contas a pagar, nem compromissos com o Fisco. Posso ir a qualquer direção que sentir vontade. De fato posso dizer: I’m free as a bird... (não identificou o verso? Clique aqui).

É claro que meus laços afetivos, o apego à família, o amor à minha mãe e alguns outros fatores pendem o barco da minha vida em uma direção. Ainda assim, nada me é definitivo. Não tenho amarras. Mudando de rota, posso continuar a amar minha mãe e minha família mesmo que, eventualmente, esteja distante deles, quem sabe vivendo em outro país.

Ainda assim, somos – nós, os jovens – constantemente crucificados por essa sociedade pós-moderna. Há tempos sinto vontade de discorrer sobre esse tema, mas são raras as vezes em que consigo me sentir realmente jovem (devo confessar que normalmente sou um jovem com alma de velho). Hoje foi um desses raros momentos.

1

Dos adultos, ouvimos que nossa geração “não tem mais jeito”, que no tempo deles “as coisas não eram assim” e outras tantas críticas rancorosas (talvez porque a juventude seja, de fato, invejada e invejável). O mundo nos olha como um grupo de preguiçosos, egoístas, confusos, perdidos... como se não fossemos todos nós, de todas as gerações, preguiçosos, egoístas, confusos, perdidos e outras coisas mais.

A juventude é a única fase da vida em que se tem a coragem de admitir: Estamos perdidos! Não sabemos o que estamos fazendo aqui! Nada disso tem sentido!

Justamente por isso, a palavra que mais combina com os jovens é experimentação. É o jovem que testa o sexo, que questiona os dogmas da religião, que discute as questões do preconceito, da liberdade, do sistema financeiro, da política, do meio ambiente...

Vivemos numa era de revolução sexual e social, onde os homens, pela primeira vez na história estão abdicando do papel de alpha-male – que tem origem em nossos antepassados que moravam em cavernas – e começam a fazer experimentações sexuais que aos olhos de muitos, não passam de desconcertante luxúria, leviandade, “falta de vergonha na cara”, “o fim dos tempos”.

Alguma coisa começa a acontecer a partir dos trinta (talvez dos trinta e cinco). A coragem se perde, o coração endurece, a alma entristece. As energias se esvaem, a alegria se torna rara, a risada é considerada embaraçosa, o protocolo social ganha papel central, somos engolidos pelo sistema.

1

Hitler ordenou a invasão da Polônia aos cinquenta anos, Bin Laden orquestrou o 9/11 aos quarenta e seis anos, Bush começou a guerra do Iraque aos cinqüenta e seis anos. Noel Rosa compôs “Com que roupa” aos vinte anos, os Beatles eram meninos, a Jovem Guarda era – como o nome explica – jovem, Dylan escreveu “Like a Rolling Stone” (eleita a melhor música da história) quando era um moleque.  

É necessário lembrar que a juventude a que me refiro às vezes permanece com o ser muito depois de a juventude física ter acabado. Einstein foi um eterno jovem, assim como Michael Jackson, Wiston Churchill e alguns outros.  

O jovem é quem manda o sistema ao inferno, sorri quando não deve, beija onde não se pode, brinca onde estão sérios, grita quando todos se calam e corre para não ser alcançado – e nunca poderia ser alcançado, exceto pelo tempo (que eventualmente acabará com sua juventude) ou pela morte (que pode acabar com a sua vida ainda na juventude).

De tanto levar pedradas de uma sociedade ressentida demais, doída demais, adulta demais, o jovem está considerando como verdade tudo aquilo o que dele é dito e assim, está se diminuindo. Sentindo-se menos do que é – e o que é o jovem? Ora, o jovem é um super-herói! – ele tem perdido a vontade de ação e está sendo engolido pelo sistema muito antes do que deveria.

Num piscar de olhos terei quarenta, cinqüenta anos. Provavelmente terei uma esposa, filhos, uma casa, carro, cachorro, papagaio... enfim, o pacote inteiro da “Vida-Em-Sociedade - versão Século XXI” e por isso, não serei mais free as a bird. O bird estará numa gaiola, e isso não será ruim. Nascemos para isso, devemos fazer isso e na grande maioria das vezes, é isso mesmo que queremos fazer. É isso que eu quero fazer.

1

Embora tenha dezenove anos, penso sim em um dia me casar, construir uma família com alguém que haja amor recíproco, ver o nascimento e o crescimento de várias criancinhas choronas que me farão amá-las mais do que a mim mesmo.

Não tenho problemas com a vida-padrão (você pode achar que eu tenho pouca ambição, mas na verdade não é isso). Não me assusto ao imaginar que em breve minha pele vai começar a enrugar, minhas olheiras irão aumentar – já tenho algumas, herança genética, infelizmente – e minha barriga vai crescer. Não tenho problemas em imaginar que em breve poderei ser o pai de alguém, o marido de alguém, o funcionário (ou o patrão) de alguém. Não me assusto em imaginar que minha libido vai cair e que um dia alguém vai me chamar de coroa.

1
Daqui a pouco estarei entrando na área decrescente do gráfico da vida, minhas células irão parar gradualmente de se multiplicar, meus joelhos começarão a doer, talvez eu tenha artrite, artrose e outras troses da velhice. Daqui a pouco não saberei mais mexer nos novos computadores, nas funções dos nossos celulares, me confundirei com os números, serei chamado de ultrapassado. Isso não me assusta.

Não poderei mais ser chamado de jovem, e espero que ao chegar nesta fase não tenha me tornado um adulto ressentido, magoado, rancoroso e opressor da juventude que se formará. Tenho um sonho que carrego no peito (Martin Luther King Jr. disse “I have a dream” aos trinta e quatro anos, uma criança) de ser um pai honesto e falar com todo amor e confiança aos meus filhos: Viva e seja jovem enquanto você é jovem!

1
E enquanto eu ainda sou, vou vivendo com prazer e orgulho minha doce e árida juventude, degustando a fugaz e curta experiência de ser jovem e livre.

Posted by Volcof
Posted

Ruas

Vendi meu carro.

Eu tinha um Peugeot Allure 206 1.6, ano 2009. Nada de muito especial, exceto pelo ar condicionado e a direção hidráulica, dois agradáveis upgrades em relação ao meu primeiro carro, um Celtinha 2001 e gemia em cada ladeira.

Moro em Osasco, uma cidade da zona metropolitana de São Paulo que por estar tão perto da capital, acaba sendo confundida com a própria capital. Alguns pensam que nossa cidade é apenas mais um bairro da big apple brasileira. Não é. Temos nossa própria administração e nossos próprios problemas, mas é impossível não notar o quanto a realidade do osasquense se assemelha à realidade do paulista.

Assim como em São Paulo, Osasco trava completamente na hora do rush, quando os moradores estão indo trabalhar e na volta às suas casas. De acordo com a Secretaria dos Transportes, Osasco tinha em 2007 uma frota superior a 160 mil veículos, que se somavam a mais de 27 mil caminhões, microônibus e caminhonetes (sem contar mais 35 mil motocicletas). Não há dados confiáveis sobre o tamanho da frota municipal nos dias atuais, mas uma previsão honesta aponta um aumento considerável.

Ao analisar esse expressivo número de veículos circulando numa cidade com mais de 700 mil habitantes, começamos a enxergar o sério problema enfrentado diariamente pelos moradores. Somando a demanda dos cidadãos que precisam ir e vir, à essa gigante frota de veículos e a péssima administração das ruas, avenidas e sinalizações de trânsito, Osasco mostra-se uma cidade tão caótica quando sua irmã mais velha.

A frota é muito superior ao recomendável, os milhares de buracos espalhados pela cidade aumentam a dor de cabeça dos motoristas, a sinalização é ineficiente e frequentemente os semáforos estão mal programados, acentuando o caos, mas devo confessar que a decisão deixar o carro não partiu por nenhuma dessas razões em particular, muito embora elas tenham pesado fortemente na minha decisão. Engraçado é ver que o povo, como se não bastasse todo o abuso que sofre a nível federal e estadual, também mostra paciência de monge tibetano (ou anemia e passividade) em relação às safadezas municipais.

O que me causa mais repulsa em relação às decisões administrativas, é o abuso do poder administrativo a fim de aumentar a arrecadação. E sobre isso poderia discorrer em relação a diversas áreas, mas vou ater-me aos transportes. Muito seguramente posso dizer que Osasco é uma das campeãs na implantação de radares (e digo isso porque tenho costume de freqüentar outras cidades da região).  Seja no bairro de periferia mais barra pesada, seja na principal avenida da cidade, com facilidade encontramos um radar pronto pra multar o desavisado que romper o semáforo vermelho (porque está atrasadíssimo pro trabalho), ou o coitado que andar a 61 km/h (quando o limite é de 60 km/h). Fazendo uma confissão à vocês, posso dizer que dos motoristas da minha família, noventa por cento levaram multas nos novos radares instalados.

Curioso (e digo “curioso” porque quero tentar manter-me educado) é ver a prefeitura mobilizando verdadeiras forças tarefas para instalação de novíssimos radares e para a manutenção das câmeras e dos ajustes dos sensores, mas como eles são ineficientes para reparar os semáforos mal programados ou remover as crateras das ruas que destroem nossos veículos.

Hoje foi um dos meus últimos dias circulando de automóvel e, como sempre, peguei um trânsito colossal. Com facilidade encontrei um novo radar instalado, passei em quatro ou cinco buracos, dois semáforos que abriam e fechavam em menos de dez segundos e, como a cereja de um bolo, guardas municipais munidos de seus bloquinhos e canetas à postos para multar os suados, sofridos, cansados e FURIOSOS! motoristas.

O Impostômetro aponta arrecadação superior a 1 trilhão de reais (!!), o que deve atingir 36% do PIB desse ano, mas no Congresso as discussão giram em torno da criação de novos impostos. A nossa indignação, enquanto cidadãos, não pode ser menos que total! Nossa postura não pode ser menos do que completamente furiosa. O problema do brasileiro, seja em Osasco ou em Teresina, é que muitas vezes descontamos a fúria que temos do Sistema (corrupto, nojento, abominável), no pobre cidadão do carro ao lado que, assim como nós, tem vivido a duras penas nessa sociedade gerida por Metralhas.

Agora as pessoas me perguntam: O que vai fazer sem carro? Eu sei que carro é, de fato, um conforto às nossas idas e vindas cotidianas, mas prefiro me juntar ao time dos ciclistas-das-metrópolis enquanto sou jovem e, pela Graça de Deus, tenho saúde para me exercitar.

Troquei meu Peugeot 206 por um Caloi, troquei os R$1,80 do litro etanol por algumas paradas para calibragem, troquei meu cd player pelo meu mp3 com fones de ouvido. Sim, eu sei, São Paulo não é uma cidade preparada para os ciclistas. Sim, eu sei, virão os dias de chuva. Sim, eu sei, muitas vezes pegar o transporte público será inevitável. Ainda assim, se não poderei resolver o caos que toma conta de nossa cidade, pelo menos não quero contribuir com ele. Esse será meu jeito, andarei despercebido, ocupando dez vezes menos espaço que ocupava antes, andando na faixa da direita á 12 km/h (sem riscos de levar multa).

Esse texto não é um ode às bicicletas, também não estou te pedindo para aderir a essa moda. A única coisa que peço à você que ainda andará de carro, é que tenha cuidado com os ciclistas e, se me encontrar nas ruas de São Paulo, por favor, não passe ao lado de uma poça só pra me molhar...    

Volcof

Posted

SUPER Indicação


Super indico esse vídeo do Vlog do Fernando, chamado Parafernalha, que "imita" Felipe Neto, PC Siqueira e centenas de wannabes adolescentes que pensam estarem fazendo uma grande revolução ao, com as bundas gordas em suas cadeiras, reclamam de Deus e o do mundo, mas não fazem ao menos uma coisa pra mudar a situação atual.
Sim, a voz dos adolescentes é importante para a mobilizarão atual, mas mais do que criar um canalzinho de mimimi's é muito importante que as palavras mobilizem ação, e a ação, mudança.
Então, jovens - e eu me incluo nessa lista - aprendam com esse ácido - e honesto - tiozinho.
Não se esqueçam - A verdade dói.
Posted by @Volcof
Posted

Coisificamos o mundo?

Ontem estava numa livraria e, sem dinheiro pra comprar os doze livros que me interessaram, sentei numa poltrona e comecei a folheá-los, fazendo aquela famosa leitura ‘por cima’.  Tenho por costume carregar na mochila um bloquinho de notas, pra que sempre quando uma ideia genial cair do céu eu tenha onde anotar – pena que isso não tem acontecido muitas vezes.

Naquele momento, contudo, o bloquinho foi providencial, e nele fui anotando algumas informações dos livros que folheava, assim como também o nome de alguns autores e outros dados que estudaria mais a fundo quando chegasse em casa e acessasse minha biblioteca infinita e gratuita chamada internet.

Mas eis que, na livraria, sentou-se à minha frente uma mulher – quarenta anos, talvez um pouco mais – e ligou o seu Ipad. Depois, ao lado dela, sentou um homem um pouco mais novo e também ligou o seu Ipad. E eu lá, com meu bloquinho de notas de jornalista dos anos 50.

Não que eu ache que a tecnologia seja apenas aos jovens. Não que eu ache uma coisa fora do normal um adulto, alguém maduro, conhecer, se interessar e saber utilizar os equipamentos eletrônicos mais modernos da história. Mas devo confessar que o mundo atual está tão ubertecnológico (sim, acabei de inventar essa palavra) que cansa até mesmo a nós, jovens, o público alvo da maioria das bugigangas high-tech.

Não vou negar que a praticidade de se ter internet disponível no celular em todo lugar é incomparável. Assim como poder assistir TV aberta em HD é uma evolução e tanto – mesmo que a qualidade dos programas não seja lá essas coisas –, mas me assusto ao pensar que podemos viver, em poucos anos, num mundo semelhante ao mostrado em “Minority Report – A Nova Lei”, aquele filme do Tom Cruise dirigido pelo Spielberg.  

Infelizmente, o que me parece é que as pessoas estão cada vez mais infantilizadas com o excesso de brinquedinhos eletrônicos. Como diz o filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella em seu livro “Não Nascemos Prontos”, a tecnologia é uma escada e não o fim em si. Devemos abraçar a tecnologia com toda a força... para alcançar algum objetivo.

A internet é uma ferramenta que revolucionou a forma de ensino e o acesso à informação, a morte do Bin Laden foi mais amplamente comentada no Twitter do que nos telejornais, mas passar o dia inteiro twittando o que você está comendo e como está o seu humor ou brincando de Farmville no Facebook, transcende qualquer sentido lógico de ser desse animal (racional) chamado homem.

Usar um Ipad, um Ipod, um ITouch ou um I-What-a-Hell porque lhe é útil para alguma tarefa, é plenamente lógico e louvável, um avanço inegável. Mas comprar um equipamento de mil e seiscentos reais só pra brincar de Angry Birds e pra elevar seu status entre a turma do colégio, chega a ser patológico.

Então hoje, o que vemos são casos assustadores de pessoas vendendo a virgindade pra comprar o último super produto do mercado, outras que se endividam pra ter algo totalmente supérfluo à suas vidas. Estamos perdendo o interesse pelas coisas que realmente importam.

Num rápido passeio pela Avenida Paulista, em São Paulo, vemos a maioria dos empresários que caminham pelas calçadas apressados e completamente imersos em seus smartfones, Blackberry’s ou qualquer coisa do gênero, mas incapazes de olhar no rosto de qualquer pessoa que passe por ele – exceto se for uma loirona voluptuosa. Estamos perdendo a capacidade de ver a vida ao nosso redor, e focando nossa atenção às coisas ao nosso redor.

Que a tecnologia se multiplique cada vez mais. Que o mundo avance em todas as áreas, inclusive na robótica, e que ferramentas que impulsionem o saber, o buscar e o conhecer, estejam disponíveis a um número cada vez maior de pessoas. Mas que não nos esqueçamos das palavras de Cortella, que não pensemos que a tecnologia basta em si mesma. Que sempre possamos lembrar que ela é um caminho, e não o destino e que a melhor parte de viver é interagir com pessoas – por mais difíceis que elas sejam – e não com telas de LCD sensíveis ao toque.

Que não nos esqueçamos que coisas são apenas coisas, e nunca deixarão de serem apenas coisas. Já pessoas, pessoas não são, nunca serão, apenas pessoas.

Dedicado à aniversariante @NatalhaCarvalho

Amiga fofinha, pessoa inteligente, menina bonita e leitora fiel.

Posted by @Volcof :)

Posted

Imagem1

Robert McKee é um reconhecido autor americano. Sua obra “Story – Substância, Estrutura, Estilo e os Princípios da Escrita de Roteiro” tornou-se – com certo exagero – a ‘Bíblia’ dos roteiristas e o “Método Mckee”, referência ao redor do mundo.

Reconhecidamente um bom trabalho, a obra, precisa-se dizer, facilitou a propagação das estórias repetidas, cansativas e mornas que hoje em dia tomam conta do cinema americano – reverberando-se ao cinema mundial.

Sobre a obra de McKee, dois pontos servem de base ao assunto principal deste artigo: Em determinado ponto do livro, o autor diz que todas as estórias – até mesmo grandes épicos como ‘Ben-Hur’ – devem acontecer ‘dentro de um universo limitado’ (nas palavras dele). A explicação para isso – e esse é o segundo ponto que quero levantar –, McKee diz, é que o roteirista deve conhecer sua obra “como Deus conhece sua criação”. Pretensão ou não, eis que surge um filme que derruba por terra essas duas “lições”.

 “A Árvore da Vida”, de Terrence Mallick, com Brad Pitt e Sean Penn, não é um filme fácil.

Aos acostumados à filmes de super-heróis, às adaptações de romances açucarados e ficcionais, ou aos filmes de ação com muitas explosões, sentar-se diante da tela e contemplar – por mais de duas horas – divagações filosóficas e explorações teológicas, parece tarefa impossível.

Mallick, sendo um diretor experiente, parece-me saber desde o principio que seu filme não atrairia amplo interesse do publico, nem formaria longas filas nos cinemas, ou teria arrecadação na casa das centenas de milhões de dólares. Por mais que o mundo esteja cheio de pseudo-cults, não creio que alguém consiga assistir à “Árvore...” só para aparentar erudição, e justamente por isso, não é raro ver algumas dezenas de desistentes saindo das salas no meio da exibição.

Viajar pelo Universo, e logo depois atentar-se para as gotas que caem num lago. Entrar no drama da família O’Brien, e notar os comportamentos diametralmente opostos da mãe – zelosa, carinhosa, graciosa – e do pai – ríspido, duro – no tratamento dos filhos para, em seguida, observar o comportamento de um dinossauro na floresta. Alguns instantes depois, apreciar uma iluminação subjetiva, que intuímos tratar-se de um ser divino, enquanto vozes Lhe perguntam coisas das mais amplas como “Por quê?” ou “Onde Você estava?”. Logo depois, personagens morrem e reaparecem, enquanto uma dança no ar (sim, você leu certo) e Sean Penn aparece sem dizer muita coisa. Coisa de maluco, não?

A obra mergulha de cabeça, como nunca antes tinha visto no cinema americano, no âmago do drama existencial humano. ‘Onde estamos?’, ‘Para onde vamos?’ e ‘De onde viemos?’ são perguntas que nossa espécie faz há séculos e por mais evoluído que fiquemos, não conseguimos chegar à respostas conclusivas ou minimamente esclarecedoras.

Não seria – e creio eu que o diretor esteve ciente disso – um filme o responsável por elucidar tão profundo drama humano de saber, enfim, o que raios estamos fazendo aqui. Ainda assim, “Árvore...” ganha pontos por ser uma produção hollywoodiana diferenciada, ao juntar equipe e investimento de superprodução, um diretor renomado, atores consagrados e premiados, a um roteiro minimalista, subjetivo, não linear e poético.

Mallick, por sua vez, joga fora a técnica McKeeísta, primeiro quando não limita seu universo ficcional, fazendo uma obra colossal, tratando do ‘tudo em todas as épocas’; segundo, por não ter a pretensão de conhecer sua criação “como um Deus”. Pelo contrário, não dá respostas, e ao invés de tentar ser como um Criador onipresente, viaja por sua estória com câmera cambaleante, em ângulos nem um pouco tradicionais, fazendo vezes de um voyeur onipresente, e nada mais do que isso.

Uma obra rara, que veio do cinema norte americano em bom momento. Com evidente qualidade, inclusive nas interpretações – atentem-se ao elenco infantil –, inegável beleza e empenho verdadeiro. “A Árvore da Vida” não vem para responder às principais questões de nossa espécie, mas sim para não deixar que elas caiam em esquecimento. Numa época de saturação da futilidade, excesso de superficialidade e besteirol, o filme serve para lembrar ao mundo que a vida é um mistério inegavelmente estranho e que nosso Criador é, de fato, insondável, mesmo às mais bem intencionadas tentativas.

de @Volcof

Posted

Fm

Depois de longo --------------------- hiato aqui no blog, voltamos ao trabalho (não-remunerado) com um post sobre... adivinhem-adivinhem?? Cinema!

Fim de semana de GRANDES e esperadas estréias nos cinemas brasileiros, com filmes para todos os gostos. Sendo assim, essa postagem vai indicar três filmes legais que entraram em cartaz nesta sexta (12/08) e um extra, que entrou em cartaz semana passada.

Aproveitem e nesse dia dos pais, levem os velhinhos pra prestigiarem a sétima arte.

Read the rest of this post »

Posted